Quando setembro volta a pôr o relógio a andar
Setembro devolve-nos os horários, os compromissos e a sensação de que o ano voltou a andar.
Setembro devolve-nos os horários, os compromissos e a sensação de que o ano voltou a andar.
Quando o verão parte, os lugares recuperam o silêncio, o ritmo e a verdade que guardam para quem fica.
Estar sempre contactável não significa estar sempre disponível. O silêncio também pode ser descanso, espaço e uma forma de continuar inteiro.
Os mapas levam-nos ao destino, mas talvez nos afastem do caminho. Perder-se também era uma forma de descobrir.
Há momentos que nunca fotografámos, mas continuam vivos dentro de nós, mais nítidos do que muitas imagens guardadas.
No verão, Milfontes enche-se de vida, mas quem cá vive sente por vezes que a vila deixa de lhe pertencer.
Quando tudo corre mal, a culpa parece morar sempre no outro. Talvez a responsabilidade comece no dia em que alguém disser: fui eu.
Um ano inteiro cabia num pequeno cartão. Alguns perderam a utilidade, mas ficaram a guardar o tempo que passou.
Alguns alunos encontraram “suspenso” onde devia estar uma nota. Quando o sistema falha, também o futuro fica à espera.
Antes de seguirmos pela direita, Portugal já circulou como os ingleses. A mudança chegou em 1928, com avisos, letreiros e um país inteiro a trocar de lado.
Hoje tenho quase tudo num ecrã, mas há partes de mim que continuam guardadas em caixas de plástico, lombadas e micas.
Cinquenta entradas depois, o caderno continua uma linha que vem de longe, da Sapo até ao Blix.