With A Vengeance: fui procurar uma voz e encontrei uma banda

Fui à procura de Tommy Vext e encontrei os With A Vengeance. De «Shared Light» a «Born to Survive», sete músicas que acabaram todas na playlist.

Em setembro, uma conversa sobre os Bad Wolves levou-me a perguntar por onde andava Tommy Vext. O som que estava a ouvir tinha-me deixado com a sensação de estar perante uma banda nova, apesar de o nome continuar a ser o mesmo. Fiquei curioso pelo caminho do antigo vocalista. Uma pergunta levou a outra e foi assim que cheguei aos With A Vengeance, ainda sem imaginar que, semanas depois, estaria a guardar um disco inteiro na playlist.

Há vozes que ficam agarradas à nossa ideia de uma banda. Reconhecemos a maneira como entram numa música, como seguram uma frase, como dão corpo a um refrão. Quando deixam de estar ali, o ouvido demora a reorganizar a casa. Continuamos a acompanhar o que vem a seguir, mas fica aquela curiosidade pelo que aconteceu à pessoa que nos habituámos a ouvir. Foi essa curiosidade que me levou a carregar no play.

Os With A Vengeance juntaram Tommy Vext e o guitarrista Chris Cain, ambos vindos dos Bad Wolves, num novo projeto de rock e metal. A ligação estava à vista e também se percebia na combinação de guitarras pesadas, refrões melódicos e uma voz com espaço para ocupar o centro da música. Havia experiência por trás daquele nome que eu acabara de conhecer. Para mim, porém, o primeiro contacto teve um título muito concreto: «Shared Light». 

A música entrou na playlist e deixou-me à espera do resto. Nessa altura, havia apenas aquele primeiro single disponível, e a minha reação foi simples: agora queria ouvir o disco. Gosto desse intervalo em que uma banda já nos deu alguma coisa, mas ainda tem quase tudo por mostrar. Uma canção pode abrir a porta. Depois fica a vontade de descobrir o que existe para lá dela, de perceber se aquela ligação se mantém quando o repertório cresce.

A espera terminou com Born to Survive, lançado a 30 de outubro de 2026. É um EP de sete faixas, com cerca de vinte e três minutos, embora na conversa lhe tenha chamado logo álbum. São distinções que ajudam a arrumar os lançamentos, mas o meu interesse estava nas músicas. Finalmente havia um conjunto para ouvir e perceber o que os With A Vengeance tinham para oferecer depois daquela primeira aproximação. 

Ouvi-o inteiro e guardei tudo na playlist. A conta, desta vez, foi fácil: sete faixas ouvidas, sete faixas guardadas. «Shared Light» passou a ter companhia e aquela vontade de ouvir mais encontrou resposta. Há qualquer coisa de muito satisfatório em chegar ao fim de um disco assim, com o entusiasmo ainda presente e com a sensação de que a espera valeu a pena. Foi exatamente isso que me aconteceu.

O gesto de guardar uma música parece pequeno. É um toque no ecrã, feito em segundos, mas também é uma escolha sobre aquilo que queremos voltar a ouvir. A partir dali, aquela canção pode reaparecer entre outras de que gostamos, encontrar-nos num dia diferente e começar a ganhar um lugar na nossa rotina. Quando guardo um disco inteiro, estou a dar essa possibilidade a todas as músicas. Foi esse lugar que dei a Born to Survive.

A voz conhecida ajudou-me a chegar até aqui, mas entretanto passei a ter um nome novo para acompanhar. É uma das coisas de que gosto nestas descobertas: seguir o caminho de um músico e acabar por encontrar outras pessoas, outras canções e outra banda. A ligação aos Bad Wolves explica como cheguei aos With A Vengeance. A audição deste EP deu-me vontade de continuar por cá e de saber o que vão fazer a seguir.

Também gosto que o rock ainda me provoque esta curiosidade. Há bandas que já têm lugar certo na minha vida, músicas que reconheço quase antes de começarem e discos aos quais volto com a confiança de quem conhece o caminho. Ao lado deles, continua a haver espaço para estas entradas recentes. Ouvir uma coisa nova, gostar e querer guardá-la é uma forma simples de manter a música em movimento, de deixar que ela acrescente alguma coisa ao que já trazemos connosco.

Em setembro, os With A Vengeance eram uma descoberta com uma canção na playlist e uma espera pela frente. Agora, Born to Survive está lá inteiro. Talvez a melhor maneira de contar este encontro seja mesmo essa: fui procurar uma voz de que me lembrava, encontrei «Shared Light», esperei e voltei para ouvir o resto. Quando dei por mim, já tinha sete músicas para levar comigo.

Ouvir «Shared Light», dos With A Vengeance, no Spotify

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