A vila que muda de dono
No verão, Milfontes enche-se de vida, mas quem cá vive sente por vezes que a vila deixa de lhe pertencer.
No verão, Milfontes enche-se de vida, mas quem cá vive sente por vezes que a vila deixa de lhe pertencer.
Quando tudo corre mal, a culpa parece morar sempre no outro. Talvez a responsabilidade comece no dia em que alguém disser: fui eu.
Um ano inteiro cabia num pequeno cartão. Alguns perderam a utilidade, mas ficaram a guardar o tempo que passou.
Alguns alunos encontraram “suspenso” onde devia estar uma nota. Quando o sistema falha, também o futuro fica à espera.
Em Milfontes monta-se uma praça por uma noite. Depois desaparece. O sofrimento, esse, não se desmonta.
Antes de seguirmos pela direita, Portugal já circulou como os ingleses. A mudança chegou em 1928, com avisos, letreiros e um país inteiro a trocar de lado.
Hoje tenho quase tudo num ecrã, mas há partes de mim que continuam guardadas em caixas de plástico, lombadas e micas.
Dois terramotos na Venezuela lembram-nos algo simples e desconfortável: também aqui o chão nunca está totalmente quieto.
Cinquenta entradas depois, o caderno continua uma linha que vem de longe, da Sapo até ao Blix.
Um golo que parecia simples desaparece no ecrã e o jogo muda de forma sem pedir licença
Descobriram um tubarão que anda. O espanto dura pouco, porque a ameaça também já lá estava à espera.
Antes dos estádios cheios e das câmaras em todo o lado, o Mundial começou com um remate simples de um jogador quase esquecido.