Apesar do título, o que mais me ficou de O Método de Steve Jobs não foi uma fórmula que pudesse ser repetida. Também não terminei a leitura com uma lista de regras para alcançar o sucesso. O que verdadeiramente me marcou foi a história de um homem capaz de olhar para o presente e imaginar um futuro que os outros ainda não conseguiam ver.
A história de Steve Jobs confunde-se inevitavelmente com a criação da Apple. Porém, mais do que acompanhar o nascimento de uma empresa, o livro permite perceber como uma ideia pode crescer quando alguém acredita nela com uma determinação quase impossível de travar. A Apple não nasceu apenas da vontade de construir computadores. Nasceu de uma forma diferente de pensar a relação entre as pessoas e a tecnologia.
Foi essa capacidade de antecipação que mais me impressionou. Steve Jobs não se limitava a perguntar o que as pessoas queriam naquele momento. Parecia tentar descobrir aquilo de que viriam a precisar, mesmo antes de elas próprias o saberem. Via a tecnologia não como um conjunto de máquinas, mas como algo que podia entrar naturalmente na vida quotidiana.
É por isso que continuo a considerá-lo um visionário. Não apenas porque ajudou a criar produtos que mudaram hábitos, mas porque percebeu que a tecnologia também precisava de despertar emoções. Um computador, um leitor de música ou um telefone não tinham de ser apenas ferramentas. Podiam tornar-se objetos com os quais as pessoas criavam uma ligação.
Ao longo da leitura, fui percebendo que o verdadeiro método de Steve Jobs talvez não possa ser ensinado. Podemos estudar as suas decisões, observar a forma como trabalhava e tentar compreender a sua exigência. No entanto, aquela capacidade de ver mais longe não cabe facilmente num manual. A visão não se copia como se fosse uma estratégia empresarial.
A sua morte representou, para mim, uma grande perda. Não desapareceu apenas o rosto mais conhecido da Apple. Desapareceu também a pessoa que parecia saber para onde a empresa devia caminhar, mesmo quando esse caminho ainda não era evidente para os restantes.
A Apple continuou a crescer e os seus produtos continuam presentes na vida de milhões de pessoas. Ainda assim, hoje olho para a marca de uma forma diferente. Sinto que se tornou cada vez mais um símbolo de estatuto. Ter um produto da Apple parece, muitas vezes, tão importante como aquilo que conseguimos fazer com ele.
Talvez seja essa a ausência que mais noto. Durante o tempo de Steve Jobs, havia a sensação de que cada novidade podia abrir uma porta inesperada. Atualmente, os produtos podem ser mais rápidos, mais aperfeiçoados e mais caros, mas já não sinto com a mesma intensidade aquela ideia de descoberta.
O Método de Steve Jobs acabou por me deixar muito mais do que uma reflexão sobre liderança ou gestão. Deixou-me a história de alguém que acreditava ser possível construir aquilo que ainda não existia. Um homem difícil de substituir precisamente porque a sua maior qualidade não dependia de um cargo: dependia da maneira como imaginava o futuro.
Steve Jobs deixou uma empresa gigantesca, mas deixou também um vazio que nenhum novo produto conseguiu preencher.
