The Mongoose: um gajo a andar de carro, e eu a torcer por ele

The Mongoose: Liam Neeson ao volante, uma fuga para acompanhar e gente por quem torcer. Um filme que cumpriu a missão de entreter um final de tarde.

Se me pedirem para resumir The Mongoose (2026) numa frase, a primeira coisa que me sai é esta: basicamente, é um gajo a andar de carro. Admito que a descrição faz pouco pela promoção do filme, mas foi assim que o resumi depois de o ver. E, no entanto, passei um final de tarde entretido, acompanhei a fuga e dei por mim a torcer por aquela malta. Às vezes, uma opinião cabe bem nestas pequenas contradições.
Vi-o na Prime Video, num daqueles finais de tarde em que sabe bem sentarmo-nos e deixar correr um filme. Liam Neeson interpreta um veterano de guerra acusado de um crime que não cometeu, que se lança numa fuga de carro com a polícia atrás de si. Pelo caminho, conta com a ajuda dos antigos companheiros de armas e conquista a simpatia de quem acompanha a perseguição. Está montado o cenário para muitos quilómetros de sarilhos. 
A ideia é simples e percebe-se depressa ao que vamos. Há um homem ao volante, há gente a persegui-lo e há uma fuga para acompanhar. A minha frase inicial tem alguma maldade, claro, mas também traduz a sensação de estar perante um filme que concentra boa parte da sua energia em manter aquele homem na estrada. Vamos atrás dele, na segurança do sofá, à espera de descobrir até onde consegue chegar.
Já vi melhor e já vi pior. Foi precisamente isso que pensei quando acabou, e continua a parecer-me a maneira mais honesta de falar dele. Ficou naquele espaço do cinema em que uma pessoa se entretém, aceita a proposta e chega ao fim satisfeita com o tempo que passou. Para o final de tarde em que o vi, serviu perfeitamente.
O que me impede de despachar o assunto apenas com a piada do carro é que torci por ele. E pelos outros. Queria que aquela malta se safasse, que a ajuda dos companheiros valesse a pena e que houvesse algum descanso depois de tanta estrada. Quando chegamos a esse ponto, a perseguição já traz pessoas lá dentro. Podemos achar a história simples e, ainda assim, querer saber o que lhes acontece.
Aliás, por mim, ainda havia espaço para uma última cena em Cancún: os três e mais a ex dele, finalmente de férias. Uma imagem que acrescentei ao filme na minha cabeça, só para fechar o assunto com aquela malta sossegada e o carro estacionado. Depois de tantos quilómetros, também mereciam que alguém lhes trouxesse uma bebida em vez de mais problemas.
Foi essa a sensação com que fiquei. Um filme bom para entreter um final de tarde, com uma fuga para seguir e personagens por quem acabei a torcer. Continuo a achar que a minha sinopse improvisada lhe assenta bastante bem. Só precisa de um acrescento: basicamente, é um gajo a andar de carro. E eu queria que ele chegasse ao destino.

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