Butcher Babies: uma descoberta ao som de Nightbloom

Os Butcher Babies apareceram por acaso e fizeram-me ficar. Uma descoberta ao som de Nightbloom, entre guitarras pesadas, melodia e vontade de ouvir mais.

Estava a ouvir os With A Vengeance quando me apareceram os Butcher Babies. Foi assim, no meio da música que já estava a acompanhar, que surgiu outro nome e a vontade de perceber o que havia ali. Comecei a ouvir, fui explorando a página da banda no Spotify e dei por mim a gostar. A descoberta ainda estava a acontecer e eu já tinha vontade de falar dela.
Esse encontro trouxe-me até Nightbloom, o álbum mais recente da banda, lançado a 2 de outubro de 2026. São dez músicas, cerca de trinta e cinco minutos e uma oportunidade de entrar no universo dos Butcher Babies pelo que estão a fazer agora. «Lost In Your Touch» estava a tocar enquanto eu explorava a página. É uma das canções que ficam ligadas a este primeiro contacto, quando o nome de uma banda começa a ganhar um som para nós. 
Entretanto, fui conhecendo um pouco da história. Durante anos, os Butcher Babies tiveram Heidi Shepherd e Carla Harvey a dividir a frente do palco. A saída de Carla, em 2024, deixou Heidi como única vocalista, e Nightbloom é o primeiro álbum dessa fase. Para quem os acompanha há muito tempo, existe aqui uma mudança importante. Eu chego precisamente nesse momento, com a curiosidade de quem encontra uma banda a experimentar outra forma de continuar.
A mudança também passa pela maneira de trabalhar as músicas. Henry Flury, o guitarrista, explicou que procurou dar mais espaço à melodia e usar a guitarra para ajudar a contar as histórias das canções. Essa intenção ajuda a perceber a proposta de Nightbloom: um disco que junta a força das guitarras a refrões melódicos e a uma escrita muito pessoal. Há espaço para o peso e para a voz, para a energia e para aquilo que cada música procura dizer. 
Heidi tem associado este trabalho a um período de reflexão sobre a própria vida, com memórias, relações terminadas e perdas a encontrarem lugar na escrita. «Black Clouds Over Georgia», por exemplo, regressa ao fim do seu casamento, olhando para essa experiência com a distância dos anos. Saber isso acrescenta uma dimensão humana ao disco. Por trás do nome da banda, das luzes e da intensidade da música, há alguém a revisitar acontecimentos que ainda têm peso na sua vida. 
Gosto desta possibilidade que o rock e o metal têm de dar força a emoções frágeis. Uma voz pode carregar raiva, saudade ou desamparo dentro da mesma canção, e uma guitarra pode ajudar a tornar tudo isso mais físico. O peso ganha outro sentido quando sentimos que há alguma coisa a ser dita através dele. O próprio título, Nightbloom, faz-me pensar nessa imagem de algo que floresce na escuridão, de uma vida que continua a procurar espaço mesmo quando a luz escasseia.
«Lost In Your Touch», «Blame It On The Wind» e «Black Clouds Over Georgia» são alguns dos nomes que foram aparecendo nesta aproximação à banda. Dão rosto ao momento em que comecei a prestar atenção aos Butcher Babies e a ligar essa descoberta ao novo disco. A minha reação foi simples: estou a gostar da banda. O som encontrou espaço, a atenção ficou ali e apareceu vontade de continuar a ouvir. Há ocasiões em que essa vontade é a melhor apresentação que um disco pode fazer de si.
Uma descoberta musical tem uma espécie de calendário próprio. Os músicos podem andar há anos a gravar e a tocar, enquanto para nós tudo começa num instante qualquer, entre uma faixa e outra. Quem acompanha os Butcher Babies traz consigo a memória das fases anteriores. Eu tenho agora Nightbloom como ponto de entrada e, a partir dele, um passado para explorar. É uma posição boa para um ouvinte: poder acompanhar o presente enquanto vai descobrindo tudo aquilo que o antecedeu.
É este primeiro encontro que quero guardar no Caderno. Daqui a algum tempo, a minha relação com a banda terá outras músicas e outras audições pelo meio. Hoje, o que me fica é a surpresa de ter encontrado mais um nome que me dá vontade de ouvir rock com atenção. Estava nos With A Vengeance, apareceram os Butcher Babies e acabei por me demorar na luz de Nightbloom. Para quem chegou por acaso, já há uma boa razão para voltar.

"Butcher babies - Blame on on the wind" on Spotify

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