Ainda estava no primeiro episódio de Neagley e já estava a gostar. Havia ali um caso que me despertava curiosidade e aquela vontade de continuar a ver para perceber o que se escondia por trás dele. Quando comecei o segundo, já sabia que teríamos assunto para o Caderno. Agora que terminei, posso dizer que a boa impressão se confirmou. Gostei bastante da série, sobretudo do suspense e da forma como a investigação foi desvendando a trama.
Para quem ainda não a conhece, Frances Neagley vem do universo de Reacher e tem aqui uma história própria, na Prime Video. Interpretada por Maria Sten, é uma investigadora privada em Chicago, com um passado na mesma unidade militar de Jack Reacher. A morte de um amigo, num acidente suspeito, leva-a a procurar respostas. Esse ponto de partida dá uma dimensão pessoal ao caso: há alguém do seu passado por quem vale a pena insistir, mesmo quando a procura começa a tornar-se perigosa.
Foi precisamente essa procura que mais me agarrou. Gosto de acompanhar uma investigação e sentir que estou a perceber um pouco mais à medida que ela avança. Ir relacionando informações, desconfiar das intenções de alguém, pensar no que poderá estar por trás de determinada decisão. Em Neagley, dei por mim envolvido nesse exercício. O interesse estava tanto nas respostas como na maneira de lá chegar, e a série conseguiu manter-me atento ao que ia sendo revelado.
O desfecho não me trocou propriamente as voltas. Fui percebendo para onde a história caminhava, mas isso nunca me estragou o prazer de a acompanhar. Até me soube bem ver como as peças acabavam por encaixar. Quando uma investigação está bem contada, antecipar parte da solução também pode ser uma forma de participar nela. Estamos a prestar atenção, a fazer ligações, a seguir o raciocínio. Depois falta ver como tudo se confirma e que consequências traz para quem está envolvido.
Há ainda uma ideia na trama de que gostei particularmente: a fragilidade das alianças construídas à volta de interesses. O poder de alguém pode depender muito da utilidade que tem para outra pessoa, sobretudo quando há dinheiro pelo meio. Achei interessante essa camada da história, a forma como nos leva a pensar em quem decide, em quem executa e na confiança que uns depositam nos outros. Vista por esse lado, a investigação também vai revelando uma hierarquia de conveniências.
Dar uma série própria a uma personagem que vem de outro universo traz sempre alguma curiosidade. Neste caso, a ligação a Reacher abre a porta, e o caso que Neagley tem em mãos dá-nos uma razão para ficar. Interessava-me acompanhá-la naquela procura e perceber até onde a levaria. Para mim, é aí que uma série destas se justifica: quando a história que está a contar nos dá vontade de continuar.
Terminei Neagley com a sensação de ter acompanhado uma boa história policial. Daquelas que nos fazem olhar para o que acontece e tentar descobrir um pouco mais, mesmo antes de a protagonista chegar à resposta. Foi uma boa companhia para estas horas de sofá e mereceu o seu lugar aqui no Caderno. Às vezes, o prazer de ver uma série está muito nisto: chegar ao fim, olhar para trás e gostar da maneira como tudo foi contado.
Neagley: o gosto de ver as peças encaixarem
Neagley conquistou-me pelo suspense, pela investigação e pelo gosto de ver as peças de uma boa história policial encaixarem.
