Há uns anos li Perfume – A História de um Assassino e mais tarde vi o filme. Lembro-me de como o livro me mergulhou nos cheiros e nas ruas da Paris do século XVIII, quase a sentir cada aroma, cada sombra. Grenouille é um personagem que assusta e fascina ao mesmo tempo, com a sua obsessão e a forma como olha o mundo sem pertencer a ele. Cada crime, cada gesto, é mais do que ato: é ritual, estudo, perfume condensado.
O filme capta a história de outra forma. A obsessão de Grenouille passa a imagem, gesto e luz. Paris e os seus habitantes tornam-se espectáculo, bonito e intenso, mas a mente do protagonista fica mais distante. No livro sentimo-nos dentro da cabeça dele, no filme somos observadores externos. Um faz-nos sentir, o outro faz-nos ver.
Mesmo anos depois, esta dupla experiência continua a mostrar-me como uma mesma história pode oferecer mundos diferentes: um íntimo, quase sufocante; outro visual, potente e memorável.
O perfume da obsessão
Há uns anos li Perfume e vi o filme. Um faz-nos sentir Grenouille, o outro faz-nos ver. Duas formas de viver a mesma obsessão.
