Avatar: Fogo e Cinzas — entre a beleza e o que não acompanha

Pandora volta a arder. Um espetáculo gigante, bonito, mas nem tudo cresce ao mesmo ritmo.

Gostei muito, sim. Isso é o ponto de partida honesto.

O filme volta a trazer Pandora com uma força visual quase absurda. Há momentos em que parece impossível aquilo ser só imagem. A forma como o fogo entra neste universo, como contrasta com a água e a floresta dos filmes anteriores, dá-lhe outra temperatura. Mais seca, mais dura, mais instável. E continua a ser cinema que se vê com os olhos muito abertos.

Visualmente, é mesmo forte. Não há como contornar isso. Pandora continua a ser um mundo onde apetece ficar mais tempo do que o necessário, mesmo quando a história abranda.

Mas depois há a outra parte.

Os arcos das personagens ficam atrás do mundo que os envolve. Não desabam, mas também não crescem ao nível do espetáculo. Há emoções, há conflito, há escolhas, mas tudo parece demasiado alinhado com caminhos já esperados. Falta surpresa. Falta aquele momento em que a história te muda o eixo por dentro.

E isso cria uma sensação estranha ao longo do filme. Como se estivéssemos a ver algo enorme a acontecer, mas com personagens que não acompanham totalmente essa escala.

Não é falta de cuidado. É mais uma questão de peso. O mundo é gigantesco. As pessoas dentro dele parecem, por vezes, pequenas demais para o que o filme está a tentar dizer.

No fim, fica uma impressão dupla.

Um filme visualmente muito forte, tecnicamente impressionante, que volta a lembrar porque Pandora continua a ser um dos espaços mais marcantes do cinema moderno. Mas com uma narrativa que não acompanha essa grandeza com a mesma força.

Gostei muito. E ao mesmo tempo ficou essa distância curiosa entre o que os olhos recebem e o que a história realmente consegue sustentar.

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