D23 2026: quando o fandom volta a acender as luzes

A D23 abriu o baú: Star Wars, Marvel, animação e promessas para os próximos anos. E, para quem vive o fandom, foi difícil não ficar entusiasmado.

Entre sabres, multiversos e animação, a D23 voltou a provar que ser fã também é viver de expectativa.

Há eventos que acompanhamos pelas notícias. Vemos os títulos, guardamos uma data e seguimos em frente. E depois há aqueles em que basta aparecer um trailer para começarmos a procurar mais qualquer coisa, a parar vídeos a meio, a reparar num cenário ao fundo ou num personagem que apareceu durante dois segundos. A D23 pertence claramente a esse segundo grupo.

A edição de 2026 começou a 14 de agosto, em Anaheim, e ainda vai decorrer até domingo. Mas bastou a primeira grande noite para a Disney abrir várias gavetas ao mesmo tempo. Cinema, séries, animação, Marvel e Star Wars passaram pelo palco do Disney Entertainment Showcase e, para quem gosta destes mundos, houve muito para digerir.

No meu caso, não vale a pena fingir neutralidade. O momento que me deixou verdadeiramente agarrado ao ecrã foi o trailer da segunda temporada de Ahsoka.

Já gostava da primeira temporada, sobretudo da forma como recuperou personagens e fios deixados por Star Wars Rebels, mas este novo trailer parece querer aumentar bastante a escala. Ahsoka regressa a 20 de janeiro de 2027, com Thrawn de volta à galáxia principal, Ezra novamente junto da Nova República e Anakin a continuar a fazer parte do caminho da sua antiga Padawan. Dave Filoni voltou ainda a colocar os deuses de Mortis no centro das imagens apresentadas no palco, o que dificilmente será apenas decoração.

E depois há Peridea.

Foi talvez isso que mais me ficou na cabeça. A sensação de que alguma coisa antiga está prestes a ser aberta ou acordada. Um templo, uma passagem, um poder que estava ali muito antes daquela gente chegar. Baylan já procurava alguma coisa naquele mundo no final da primeira temporada e o trailer parece sugerir que essa parte mais estranha e quase mitológica de Star Wars vai finalmente ganhar espaço.

Enquanto isso, na galáxia principal, Thrawn parece estar pronto para fazer aquilo que se esperava dele desde que o nome começou a ser pronunciado nestas séries: juntar os restos do Império e transformar pequenas ameaças dispersas numa guerra a sério.

É uma combinação que me agrada. De um lado, a guerra. Do outro, o lado mais misterioso da Força.

E ainda conseguem meter Huyang a lutar com vários sabres de luz.

Há qualquer coisa de maravilhosamente absurda e ao mesmo tempo perfeitamente lógica em ver um droide que passou séculos ligado à Ordem Jedi finalmente pegar nos sabres e entrar em combate. Foi daqueles segundos de trailer em que não precisei de explicação nenhuma. Só pensei: isto vai ser muito bom.

Star Wars não ficou apenas por Ahsoka. Star Wars: Starfighter, de Shawn Levy, também mostrou as primeiras imagens ao público da D23. Ryan Gosling interpreta Kade Auberon, um homem vindo do “lado errado da galáxia” cuja história fica ligada ao que é apresentado como o caça estelar mais rápido alguma vez construído. O filme será uma aventura autónoma, situada num período de Star Wars ainda não explorado, e estreia nos cinemas a 28 de maio de 2027.

Depois veio a Marvel.

Avengers: Doomsday mostrou novas imagens e voltou a colocar Robert Downey Jr. no centro das atenções, agora como Doutor Destino. O elenco reuniu-se no palco e a sensação continua a ser a mesma: a Marvel está a preparar uma daquelas histórias em que vai atirar uma quantidade pouco saudável de personagens para dentro do mesmo filme e esperar que tudo sobreviva ao impacto. O filme chega aos cinemas a 18 de dezembro de 2026.

Também houve espaço para apresentar o novo elenco de X-Men, outro daqueles momentos que inevitavelmente vão alimentar meses de discussão entre fãs, além do trailer de VisionQuest, com Paul Bettany novamente como Vision e estreia marcada para 14 de outubro no Disney+.

Mas uma D23 não vive apenas das naves e dos super-heróis.

A Disney Animation também levou bastante material. Frozen 3 ganhou novas imagens e mais detalhes, incluindo um casamento, uma nova ameaça e, naturalmente, novas músicas, com estreia prevista para novembro de 2027. Foi ainda confirmado que Zootopia 3 está em desenvolvimento e houve uma nova apresentação de Hexed, a próxima animação original do estúdio.

E talvez seja isso que torna este tipo de evento tão divertido para quem está do outro lado do oceano a acompanhar tudo pelo ecrã.

Não precisamos de gostar de todos os anúncios. Nem tudo nos interessa da mesma forma. Há coisas que vemos e pensamos “está bem”, outras que esquecemos cinco minutos depois e, de repente, aparece uma imagem, uma personagem ou meia dúzia de segundos de música que nos devolvem aquela vontade infantil de saber o que acontece a seguir.

Foi o que me aconteceu com Ahsoka.

Janeiro ainda está longe. Muito longe, diga-se. Mas agora já existe uma imagem do que vem aí. Peridea continua a esconder alguma coisa. Thrawn começa a mover as peças. Anakin continua presente. Huyang descobriu que quatro sabres são melhores do que um.

E pronto.

É assim que começa outra vez o tempo das teorias, dos trailers vistos demasiadas vezes e das conversas sobre detalhes que provavelmente nem significam aquilo que imaginamos.

A D23 ainda não terminou. Este sábado o grande palco muda o foco para o Disney Experiences Showcase, dedicado sobretudo aos parques e experiências Disney, e no domingo chega a cerimónia Disney Legends.

Mas, para mim, a primeira noite já fez aquilo que estes eventos devem fazer.

Deixou-me com vontade de ver o que vem a seguir.

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