Geografias do Futuro Próximo

Sete ensaios para ler as forças que estão a redesenhar o século e perceber o lugar da Europa num mundo em mudança.

O mundo parece mover-se mais depressa do que conseguimos nomear. Mudam alianças, fronteiras, economias, populações e formas de exercer o poder. Algumas transformações chegam com o estrondo das guerras, outras entram devagar, através de um contrato, de uma dependência tecnológica, de uma rota comercial ou de uma decisão tomada longe daqueles que irão viver com as suas consequências.

É nesse território incerto que nasce Geografias do Futuro Próximo, uma série de sete ensaios sobre as forças que estão a redesenhar o século e sobre o lugar da Europa dentro desse movimento.

Não se trata de prever o futuro, até porque o futuro raramente respeita os mapas que desenhamos para ele. Trata-se de observar o presente com atenção suficiente para reconhecer aquilo que já começou a mudar. O regresso da força às relações entre países, a fragmentação europeia, o envelhecimento da população, as migrações, a dependência económica e tecnológica, as novas formas de influência e a dificuldade de construir uma visão comum.

Aqui, geografia não significa apenas território. Significa também poder, movimento, identidade, recursos e capacidade de escolha. Um país pode conservar as suas fronteiras e, ainda assim, perder liberdade para decidir se depende inteiramente da energia, da tecnologia, da defesa ou da produção de outros. Da mesma forma, uma região pode não ser ocupada por soldados e encontrar-se profundamente condicionada por capitais, plataformas, infraestruturas e interesses que não controla.

A Europa está no centro desta reflexão porque vive uma contradição difícil. Continua a ser uma das regiões mais ricas, estáveis e influentes do planeta, com um mercado vasto, instituições fortes, conhecimento, indústria, cultura e uma longa experiência de cooperação. Ao mesmo tempo, enfrenta divisões internas, dependências externas e uma crescente dificuldade em transformar o seu peso económico numa voz política comum.

Estes textos não defendem uma Europa fechada ao mundo. A autonomia não nasce do isolamento nem da expulsão de tudo aquilo que vem de fora. Nasce da existência de alternativas. Da possibilidade de cooperar sem ficar preso, de comprar sem depender totalmente e de receber concorrentes sem abandonar a capacidade de criar.

Não se trata de impedir que empresas americanas ou chinesas entrem no mercado europeu, mas de garantir que também existem empresas, tecnologias, indústrias e infraestruturas europeias capazes de competir com elas. Não se trata de regressar aos impérios do passado, mas de evitar que a Europa se torne apenas um mercado onde os outros vendem o futuro que produziram.

Ao longo de sete partes, esta série irá percorrer algumas dessas geografias em mudança. Cada ensaio será um pequeno mapa, necessariamente incompleto, escrito enquanto o próprio século ainda desenha as suas linhas.

Não para antecipar o futuro, mas para o compreender enquanto acontece.

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