Porto, uma viagem que ficou por acabar

Fui ao Porto em trabalho e voltei com a sensação de ter conhecido apenas o princípio de uma cidade que ainda me chama.

No ano passado, durante a minha “aventura” na iCliGo, fui ao Porto para participar num evento de confraternização. Era um encontro que reunia os agentes de viagens, permitindo-nos conversar, partilhar experiências e conhecer melhor as pessoas que faziam parte do mesmo projeto.

O evento tinha também um momento de reconhecimento. Eram entregues prémios aos agentes que tinham alcançado determinadas metas, valorizando o trabalho desenvolvido ao longo do tempo. Entre o convívio e a celebração dos resultados, sentia-se a energia de uma equipa reunida num mesmo lugar.

O encontro realizou-se no Pavilhão Rosa Mota. Até então, aquele nome pertencia sobretudo às referências que vamos guardando sem lhes associarmos uma imagem concreta. Estar ali permitiu-me finalmente ligar o nome ao lugar e conhecer também os jardins que o rodeiam.

Foi talvez nesse contraste que comecei a guardar a minha própria imagem do Porto. Dentro do pavilhão estavam as conversas, os reencontros, os prémios e o movimento do evento. Cá fora havia árvores, caminhos e uma cidade que se deixava observar com outro vagar. Bastava afastar-me um pouco para sentir que existia muito mais à espera.

Tinha chegado na véspera e dormido num hotel da cidade. Há qualquer coisa de diferente em passar uma noite num lugar onde não vivemos, mesmo quando a viagem acontece por motivos profissionais. Durante algumas horas, deixamos de ser apenas visitantes de passagem. Acordamos ali, olhamos pela janela e começamos o dia dentro de uma cidade que ainda não conhecemos verdadeiramente.

Consegui descobrir uma parte mais antiga do Porto. Não foi uma visita organizada nem uma tentativa de percorrer todos os pontos que costumam aparecer nos roteiros. Foram apenas algumas ruas, edifícios e sinais de uma cidade marcada pelo tempo. Por vezes, é assim que um lugar começa a entrar na nossa memória: não através dos monumentos obrigatórios, mas pelas pequenas imagens que encontramos sem as procurar.

Não consegui ir à Baixa. O tempo disponível tinha os limites próprios de uma deslocação de trabalho e o Porto acabou por ficar dividido entre aquilo que vi e tudo o que permaneceu fora do caminho. Curiosamente, essa impossibilidade também passou a fazer parte da viagem.

Há cidades que conhecemos durante dias e das quais regressamos com a sensação de termos visto o essencial. Outras mostram-nos apenas uma pequena parte e deixam uma espécie de porta entreaberta. O Porto ficou-me assim: ligado a um encontro entre agentes de viagens, aos momentos de convívio, ao reconhecimento de quem alcançou os seus objetivos, ao Pavilhão Rosa Mota, aos jardins e a uma noite passada longe de casa.

Talvez por isso não considere aquela deslocação uma visita concluída. Conheci um Porto condicionado pelos horários, pelo trabalho e pelo pouco tempo disponível. A Baixa ficou por descobrir, tal como tantos outros lugares que apenas consegui imaginar.

Um dia terei de regressar sem um programa profissional a marcar as horas. Quero caminhar sem pressa e perceber melhor a cidade que, naquela ocasião, apenas começou a apresentar-se. Porque há viagens que terminam quando voltamos para casa e outras que ficam suspensas, à espera de uma continuação.

A minha viagem ao Porto ficou por acabar.

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