Cinquenta. Não como número redondo, mas como rasto.
Antes do Blix já havia isto. Outro lugar, outro nome, outra casa para as palavras. O que agora se chama Caderno do Kiko vem de mais atrás, vem do tempo da Sapo, de páginas que se iam enchendo sem grande plano, só com a vontade de não deixar o dia passar em silêncio.
O Blix não começou o caderno. Só lhe deu outra margem. Outra forma de respirar. Mas por dentro, o gesto é o mesmo. Olhar o mundo e tentar fixar qualquer coisa que não se perde totalmente quando o dia avança.
Cinquenta entradas depois, percebe-se isto sem necessidade de dizer em voz alta: não houve reinício. Houve continuação.
E o que muda de plataforma em plataforma é só a forma da margem. O resto continua a ser esta linha discreta que insiste em seguir.
