Há séries que não envelhecem porque nunca foram apenas séries. Foram janelas. O Major Alvega é um desses casos raros da RTP1 em que a televisão parecia experimentar sem pedir desculpa.
Um piloto da RAF, desenhado a meio caminho entre a BD e a carne viva da imagem. Missões na Segunda Guerra Mundial, céu aberto, motores a cortar o silêncio e uma narrativa que não tinha medo de ser clássica. Havia qualquer coisa de herói antigo ali, mas também de figura inventada a pensar no presente de quem via.
O curioso era a forma como a série se recusava a ficar presa a um único registo. Misturava atores reais com cenários desenhados, quase como se a própria história não confiasse totalmente no mundo físico. Era televisão a lembrar que podia ser outra coisa. Não só registo, mas criação.
Ricardo Carriço vestia o papel com essa mistura de distância e presença. E a narração de Fernando Pessa dava-lhe um tom quase documental, como se aquilo pudesse ter acontecido mesmo algures entre relatórios militares e memória europeia.
Hoje, visto à distância, tem esse brilho meio imperfeito das coisas que não tentavam ser perfeitas. E talvez seja isso que fica. Não a fidelidade histórica, nem a técnica, mas a sensação de que a televisão, naquele tempo, ainda voava sem saber bem onde ia aterrar.
