O dia em que a página ganhou

A página em branco riu-se de mim, a inspiração tirou férias e eu fiquei só com café, pensamentos soltos e vontade de escrever… sobre não escrever.

Hoje acordei com a convicção de que ia escrever algo incrível. Tipo épico. Tipo “isso vai ficar na história do blog”. Sentei-me à frente do ecrã e… silêncio absoluto. A página em branco olhava para mim com aquele ar de julgamento, tipo “Ah, tu achas que vais conseguir?”

Tentei sorrir para ela, como quem tenta convencer um gato a vir até si. Nada. Suspirei. Bebi café. Nada. Olhei para o teclado. Nada. Pensei em chamar reforços: talvez um bloco de notas antigo, uma ideia guardada, qualquer coisa… Mas até as ideias antigas estavam a rir-se de mim. “Hoje não, amigo. Hoje é dia de férias criativas.”

Levantei-me, caminhei pela casa, imaginei que talvez se eu fizesse yoga, as palavras surgissem. Spoiler: nem mesmo a pose do “guerreiro do texto” ajudou. Comecei a falar sozinho, a improvisar diálogos com o meu próprio reflexo: “Tu consegues. Tu és genial. Tu… bem, pelo menos tenta.”

E percebi: o bloqueio é só isto. Um lembrete que nem todos os dias precisamos de brilhar. Alguns dias são sobre rir de nós próprios, beber café como se fosse néctar sagrado e olhar para o mundo com aquele ar de “ok, pelo menos sobrevivi a mais um dia sem escrever nada”.

Então escrevo sobre não escrever. E talvez isso seja o suficiente. Talvez o blog hoje seja sobre rir do desastre, sobre aceitar que a inspiração decidiu tirar férias sem avisar, e sobre nós, a tentar seguir em frente com café, pensamentos dispersos e uma página que insiste em permanecer em branco.

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