Em Milfontes, a FEI-TUR volta todos os anos como quem abre uma janela grande para o rio Mira.
A Avenida Marginal enche-se de tendas, pessoas e vozes, e o rio fica ali ao fundo, calmo, quase indiferente ao movimento, como se fosse ele o verdadeiro dono do cenário. É uma feira dedicada ao turismo e às suas ramificações, mas acaba sempre por ser mais do que isso. É lugar de encontro, de mostra e de passagem.
Este ano, como em todos, houve o lado forte dos stands. Comércio local, artesanato, turismo. O essencial do certame continua ali, vivo. Mel, provas de vinho, picantes, pequenos produtores a dar a provar o que fazem com tempo e terra. É ali que a feira respira melhor, no contacto direto, sem pressa nem filtro.
O CD Praia de Milfontes marcou presença com o seu espaço e trouxe também o lado mais comunitário. Já na restauração, o ambiente espalhou-se entre o bar do clube, a Casa de Amigos do Benfica e o Villa Steakhouse, sempre virado para a foz, com mesas onde a tarde se vai ficando mais longa do que o planeado. É um dos pontos onde a feira abranda, onde o rio entra nas conversas sem pedir licença.
Mas nem tudo foi igual a outros anos. Os showcookings desapareceram e foram substituídos por apresentações em formato fechado, com lugares muito limitados. Pequenos grupos, reservas antecipadas, e muita gente a ficar de fora de algo que sempre teve outro espírito. Também voltou a ideia do artista surpresa ao pôr do sol, sem horário definido, o que deixa o programa mais solto, mas também menos claro para quem vive a feira de forma organizada.
Os Virgem Suta foram os nomes deste ano nesse momento musical. Uma banda de Beja, já conhecida por ali, que encaixa bem no ambiente da feira e que, para alguns, trouxe memória de outras edições em que os concertos estavam mais presentes no cartaz, mais assumidos, menos escondidos em surpresas.
No fim, a FEI-TUR continua a ser aquilo que o lugar ajuda a construir. Um postal de Milfontes aberto ao público, com o Mira sempre a olhar de lado. Há coisas que mudam, outras que se mantêm, e entre essas duas forças vai-se desenhando o que a feira é todos os anos: um espelho do território, com luz, com gente e com margem para crescer.
