Caminhos de Reiriz

Reiriz chegou-me numa conversa. Não por ter lá ido, mas pelo som da água que a minha mãe me contou, quando falava do meu pai.

Há lugares que não começam nos pés. Começam na conversa.
Reiriz apareceu assim. Não por uma viagem minha, nem por uma imagem vista algures, mas por uma história simples, dita quase de passagem. A minha mãe a lembrar um tempo em que o meu pai andava pelas termas de São Pedro do Sul. E, no meio dessa memória, surgiu Reiriz. Um nome. E depois outro detalhe. O rio lá em baixo. A água a correr.
Foi isso que ficou, mais do que o lugar em si, ficou o som imaginado. Aquele correr de água constante, vindo de baixo, como se o mundo tivesse ali uma respiração própria, escondida entre pedras e margem.
Há sons que se fixam antes de haver lugar. E há lugares que nascem assim, primeiro dentro da cabeça, depois dentro do desejo de lá estar.
Reiriz ficou-me nesse sítio estranho entre memória emprestada e vontade pessoal. Não é ainda um sítio vivido. É um sítio ouvido. E isso muda tudo. Porque o que se ouve assim não se esquece da mesma forma que uma imagem. Fica a ecoar, discreto, a crescer devagar.
Um dia quero lá ir. Não para confirmar nada. Mas para ouvir com os meus próprios passos aquilo que já me chegou através da voz de alguém. E ver se o som da água, lá em baixo, é mesmo como ficou cá dentro.

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